terça-feira, julho 31

Mesmo

"...um bobo da corte, que a engrenagem do tempo é incapaz de engolir, perambula pelo mundo..."

Retirado de "O dia do curinga" de Jostein Gaarder, texto inspirado no mesmo livro.

A vida é cheia de novidades e, acredite, não há nada mais magnífico do que uma novidade no coração de um homem. É uma mistura deliciosa de grandes sensações, como se todos os sabores do mundo se espalhassem por todas as partes do corpo de forma desenfreada. Ahhh! Não há no mundo riqueza maior que a novidade.
Até que de repente vem minhocando de dentro do âmago do ser-humano uma sangue suga compulsiva que corrói e corrompe, vem ansiedade, egoísmo, vontade e gula todos juntos numa súbita onda que faz com que realidade e devaneio de misturem. A sangue suga só quer matar sua fome e sua "larica" até consumir tudo e, por fim, sobra somente uma sombra na memória do homem sobre o que houve de novo outrora. Pergunto-me. "Como combater essa sangue suga que corrói e devasta o que antes nos fez tão bem?", "Seria mais fácil esconder a novidade de todos os outros homens e deixá-la como segredo sempre viva num único coração?". Guardar um segredo tão grande que poderia satisfazer toda uma população ou satisfaze-la e continuar nessa incessante busca pela felicidade instantânea, seria essa a indagação de todo o homem que tem um mínimo de poder em suas mãos. Da mesma forma a indignação de todos os outros pela decisão irracional de seu líder e, acompanhado a isso tudo, o conformismo do resto que não tem opinião nenhuma em relação a nada. Paga-se pelo que se é a cada dia e a cada noite vem a reflexão de nossos atos, são pensamentos que vem para assombrar e confortar. E nesse rio de contradições sobra uma única pergunta: "Pagar pelo que se é a cada dia ou não ser e pagar a cada noite?"

6 comentários:

Anônimo disse...

Legal devia mandar essa pro fruto sagrado resrsrsrs
parabéns pelo texto
fuuii!!!

Unknown disse...

Caramba, Bruno, que texto bom ! Muito, muito legal MESMO.
Sei lá, gostei muito. :)

bjão.

Anônimo disse...

Primeiro...
Vamos ver se vc adivinha quem é...
só uma dica... não vale chorar!!!
rs

Gostei do seu texto amiguinho!
É um tanto reflexivo... me diga uma coisa, o livro q vc leu é sobre isso?

abraços

I.C.

Alisson Bittencourt Bueno de Camargo disse...

Naquele dia, o homem acorda e percebe que o mundo é novo, e que ele simplesmente não conhece tudo aquilo com que tem interagido ao longo de uma vida, mas acenava vulgarmente do mesmo modo, para todos e tudo. Segue assim seu caminho de todos os dias, mas dessa vez mais sorridente e com um peso menor nas costas, afinal agora ele tem o direito de observar detalhadamente tudo que há ao seu redor, e de entender e descobrir o que é cada coisa da qual ele se aproxima. Ninguém pode entender a origem de tanto otimismo, nem ele próprio, mas se há algo ou alguém onisciente, sabe que aquele sentimento vinha justamente das novidades que sequer se sabe existirem. Mas que existem, de algum modo.

E tudo continua perfeitamente bem, até que ele se depara com outros homens, e percebe o quanto são evoluídos aqueles que conseguem desenvolver um senso crítico tão perfeitamente. E ele descobre isso e passa a desenvolver a autocrítica de maneira nunca antes vista.

Num determinado outro dia, o homem acorda. Só. Acorda. Se sente conhecedor do mundo, profundo sabedor dos aspectos mais íntimos da alma animal. Mas só. Um sábio, e nada mais. Sua autocrítica não permite que se sinta bem por isso, nem que celebre qualquer um de seus feitos. Ele sai às ruas, e acena ao mundo com uma vulgaridade estúpida e plural. Pesarosamente, caminha, buscando, sem saber, alegrias mínimas ocultas, que nunca encontra porque o seu bom senso o torna superior a tudo que há. E, em sua estupidez, caminha, como mais uma carta no baralho.

Definitivamente, era só uma boa manilha. Na rodada seguinte, perdeu seu valor pra outra manilha.

Mas o coringa ainda está por lá, em algum lugar, apreciando a falsa crítica humana e esperando que aceitem e entendam o que realmente deve ser a crítica, e o quanto ela deve construir, para todos, e nunca, nunca, destruir.

E assim eu e você observamos o que se passa logo abaixo e imediatamente acima, mas sempre na mesma altura, para que saibamos donde podem vir todas as cartas, e como devemos tratá-las. Faz parte, e é necessário, além de ser o tratamento mais honesto ao mínimo de poder.
É muito difícil ser o que se deve, principalmente quando estamos sufocados pelas mesmas coisas, sem novidades mutantes. Mas sempre deverá ser melhor pagar pelo que somos se pudermos sê-lo.
Que a besta faminta receba a atenção que merece, e que os analfabetos conformados percebam que não tem nada do que produzem, ainda que sempre produzam o mesmo, sem novidade.

Pelo dia do Curinga! Agora eu quero ler o livro...
Parabéns, novamente!
Cada vez melhor.

Gleyciely MoraEs disse...

Putz. Vc é bom heim? parabens

Sua nova Fã

Anônimo disse...

Bom dia raio de sol!!

Meu, A-DO-REI texto cara!!Tipo...foda!!
Até parei pra pensar agora, rs.

Ti cuida amore!!

Grande beijo