segunda-feira, setembro 24

Fases da cólera

Esta é nossa racionalidade, de tempos em tempos nos decepcionamos. O que chama atenção não são os sentimentos conseqüentes dessa decepção e sim o fato de que sempre nos surpreendemos. Os dias passam e nos deixam lembranças, as quais fazem alusão ao que realmente somos (somos tudo o que construímos durante toda nossa vida).

Erguemos nosso castelo e nos refugiamos na mais alta torre; fugimos do mundo, das pessoas e (tentamos) de nós mesmos, na nossa subida interminável em busca do isolamento temos o mais brusco encontro de nossas vidas, chegamos tão alto (nos tornamos seres intocáveis e intocados) e tão longe (das pessoas) que nos deparamos com o espelho da nossa alma que reflete o quão mesquinhos e egoístas somos, mas mostra também o quão bons podemos ser. Muitas vezes esquecemos que podemos ser as piores pessoas do mundo e da mesma forma esquecemos que podemos ser bons. Nos privamos do relacionamento com as pessoas. Criamos obstáculos e barreiras (as vezes até castelos) para nos relacionarmos com as pessoas, não por quem elas sejam mas por quem de fato somos.

Esquecemos quem somos e de onde viemos, perdemos nossa identidade. Como um escritor que vê num personagem muito de si mesmo, sintetizamos o modo de vida à sociedade - como parasitas no corpo hospedeiro esquecemos que não fazemos parte disso tudo estamos somente acomodados - como se fizéssemos parte da mesma coisa. O ser-humano é inegavelmente dependente da sociedade - isso hoje - assim como a sociedade é dependente dele. Não podemos consider que a relação apresentada anteriormente é um mutualismo declarado.

Nesse caso quem seria o parasita, o ser que se adapta ao meio ou o meio adaptado. Durante o processo da evolução humana resolvemos de certa forma controlar o meio em que vivemos logo não somos o parasita, somos no máximo um vírus que tenta modificar o código genético do organismo ou no caso somos no máximo loucos - que nadam contra a maré - em busca de uma sociedade igualitária, ou no mínimo melhor.
Devemos sim ser loucos, não loucos individualistas, - pois com vasta experiência concluímos que o que o outro faz afeta diretamente nossas vidas - logo se não efetuarmos em nós mesmos mudanças (mesmo que mudanças singelas) que afetem o meio não mudaremos absolutamente nada de significativo.

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