segunda-feira, novembro 5

A sangue - suga

Esta é nossa racionalidade, de tempos em tempos nos decepcionamos. O que chama atenção não são os sentimentos conseqüentes dessa decepção e sim o fato de que sempre nos surpreendemos. Os dias passam e nos deixam lembranças, as quais fazem alusão ao que realmente somos (somos tudo o que construímos durante toda nossa vida).

Erguemos nosso castelo e nos refugiamos na mais alta torre; fugimos do mundo, das pessoas e (tentamos) de nós mesmos, na nossa subida interminável em busca do isolamento temos o mais brusco encontro de nossas vidas, chegamos tão alto (nos tornamos seres intocáveis e intocados) e tão longe (das pessoas) que nos deparamos com o espelho da nossa alma que reflete o quão mesquinhos e egoístas somos, mas mostra também o quão bons podemos ser. Muitas vezes esquecemos que podemos ser as piores pessoas do mundo e da mesma forma esquecemos que podemos ser bons. Nos privamos do relacionamento com as pessoas. Criamos obstáculos e barreiras (as vezes até castelos) para nos relacionarmos com as pessoas, não por quem elas sejam mas por quem de fato somos.


"Nos tornamos hedonistas, materialistas, cínicos, geradores de fome e injustiça, projenitores de fanatismos doentes e letais
essa é nossa humanidade essa é nossa civilização, parece não haver limites para a irracionalidade humana"

Fruto Sagrado



Esquecemos quem somos e de onde viemos, perdemos nossa identidade. Como um escritor que vê num personagem muito de si mesmo, sintetizamos o modo de vida à sociedade - como parasitas no corpo hospedeiro esquecemos que não fazemos parte disso tudo estamos somente acomodados - como se fizéssemos parte da mesma coisa. O ser-humano é inegavelmente dependente da sociedade - isso hoje - assim como a sociedade é dependente dele. Consideramos então que a relação apresentada anteriormente nada mais é do que uma relação mutulística, certo? Errado!


Nesse caso quem seria o parasita, o ser que se adapta ao meio ou o meio adaptado. Durante o processo da evolução humana resolvemos de certa forma controlar o meio em que vivemos logo não somos o parasita, somos no máximo um vírus que tenta modificar o código genético do organismo ou no caso somos no máximo loucos - que nadam contra a maré - em busca de uma sociedade igualitária, ou no mínimo melhor.
Devemos sim ser loucos, não loucos individualistas, pois com vasta experiência concluímos que as ações do outro refletem diretamente em nossas vidas, logo se não mudarmos o mundo não mudaremos nada.

4 comentários:

Alisson Bittencourt Bueno de Camargo disse...

Bruno, o melhor em você é que você sempre evolui. Sempre.

Só nos encontraremos se buscarmos nos outros.
Nos últimos meses ampliei meus horizontes e descobri que o projeto isolado é um projeto fraco.
Sonho poder quebrar as barreiras da convencionalidade forçada que rege nossas vidas, mas conheço a realidade dura que nos cerca. Não desisto por isso e luto apenas para que eu possa sempre mudar - e para que a metamorfose resulte sempre em algo novo e mais forte.

Concluí que mudar é a única maneira de tornar-se eterno.

E escrevi a frase acima isolada para que ela possa ser lembrada assim, e desdobrada de acordo com a verdade que governar a realidade em questão.

Fugir do mundo ou pular sobre ele de braços abertos? O que dói mais: tapar os olhos ou expô-los a luz até exaurirem-se?

O caminho mais difícil deve recompensar-nos, de alguma forma. Ou de algum ponto de vista.

Anônimo disse...

Posso estar errado em minha interpretação, mas o texto me passa um sentimento de que a minha conciência faz a sociedade.

Tipo: "Penso logo existo."

Talvez seja este o ponto chave da questão.

Eu acredito que a sociedade faz a conciência. A individualidade por exemplo talvez tenha vindo como advento da propriedade privada.

A conciência faz a sociedade ou a sociedade faz a conciência?

Talvez esta seja a nossa divergência, precisamos debater mais este ponto.

Pedro disse...

bem...

eu nao sei até onde devemos procurarno-mos nos outros...e até quando devemos procurar em nós mesmos...

só....acho que, como uma pessoa confusa que sou, e talvez que entenda um pouco sobre o que é ser confuso, não CONSIGO encontrar "culpa ou algo assim" na situação q vc descreveu no começo, falando de se erguer num castelo e se refugiar na torre..

seilá...é difícil falar disso pq assim...vc pode procurar dentro ou fora....vc pode até procurar na linha tênue que separa os dois lados.... mas você conhece alguém que se encontrou? o que você chama de "se encontrar"? tipo....um cara que se encontra fica como? em estado de nirvana?

quando vc se acha no outro, você acha você ou acha o outro? rs... EU imagino q ache o outro..mas nao sei...eu nunca me achei em ninguém =p



e....eu acho que etimolgicamente falando, nós somos MESMO vírus =p



abraços

Farmatuque disse...

Sabe o q é legal?!?!

Eu sei praticamente todo o contexto do motivo desse texto, ou penso que sei, e isso já me basta! xDDD
Vc juntou o conhecimento dado em biologia dos 3 anos de basilides e o incrustou numa conclusão de alguns anos de experiência, não é? rss

Só não concordo com a parte de "se não mudarmos o mundo não mudaremos nada...". Posso muito bem mudar a mim mesmo (e eu o fiz, rs) e tentar "mudar" um ou outro a minha volta, às vezes não é necessário mudar tudo... apenas adaptar algumas coisas para bens em comum... e vc me diz q isso não muda nada?!?! rsss

abraços e beijo