Los Hermanos.
Somos compostos, além de pele e osso, de uma carga de sentimentos. Alguns vêm de nós, outros são provenientes de indivíduos além dos que são fruto das situações de nosso cotidiano, do que chamamos rotina.
Muito do que sentimos está ligado à rotina e nós a tememos por interferir diretamente em nossa composição, alterando nossa condição a respeito de nossos sentimentos. Se a rotina for desgastante ou prejudicial nossos sentimentos repercutirão da mesma forma e de igual modo os sentimentos das outras pessoas. Nossas rotinas estão ligadas por um único fator, o medo.
O terror decorrente da possibilidade desta gama de situações, ou acontecimentos, ser prejudicial cria um mecanismo de defesa que interfere nas atitudes influenciadas por nossos sentimentos e conseqüentemente em nossas relações com os outros. Criamos, inconscientemente, relações baseadas no medo de que o cotidiano transforme quem de fato somos, o ser humano não é facilmente sucetível à mudança.
O mecanismo de defesa criado faz parte de nossa natureza, como se, durante o processo evolutivo, a seleção natural considerasse benéfica esta forma de relações. Como este fator está presenta na espécie humana além da interferência causada em nossas atitudes para com o outro, haverá também interferência nos sentimentos dos outros por nós, criando um relação de interdependência entre os componentes se nossa sociedade, ocasionando na cooperação coletiva para fuga da rotina prejudicial, ou mutável.
A cooperação mútua não é, como se pensa, fruto do altruísmo cego, que pensa exclusivamente no outro, e sim do egoísmo atrelado ao instinto de sobrevivência. Ao admitirmos que as atitudes e os sentimentos não são altruístas de forma integral devemos considerar que a recíproca também é verdadeira. A capacidade de usar e de ser usado é, além de egoísmo, uma das características mais notáveis, no que diz respeito a preservação de nossa espécie, que desenvolvemos em nossa evolução; contribuímos para a felicidade alheia sem deixar a nossa de lado, tal atitude resulta numa satisfação significativa, pois ao ajudar o outro estamos indiretamente ajudando a nós mesmos. O fruto dessas relações é a sociedade mutualista que criamos e conservamos todos os dias.

3 comentários:
Eu diria que esse mecanismo de defesa é uma caracterísitca cultural nossa. O cotidiano citadino molda o sujeito de modo que ele aja assim; é socialmente melhor que o homem saiba se proteger do meio que pode afligi-lo.
O mutualismo de nossa sociadade realmente se baseia nessa expectativa de respeito às normas. Agimos na crença de que aqueles que nos cercam também ajam. E os respeitamos em espera de respeito. Os outros são o nosso próprio limite. Eles não apenas colaboram para nos moldar, como servem de espelho para que possamos compreender o que edificamos em nós mesmos. São o obstáculo e o trampolim. O meio e, de certo modo, um fim.
Não creio nem em exercícios mentais solipsistas. Até em solidão, as pessoas nos acompanham. O mundo está conosco em meio ao nada.
Por respeito. E por necessidade.
^^
Seria o medo um anseio? Seria o anseio uma previsão? De que se trata o medo?
Muito bem colocado sobre o altruímso, o ser humano, mesmo que inconscientemente faz aquilo que precisa para sobreviver, mesmo que para isso, tenha que agir indiretamente. Pode-se notar isso claramente numa sociedade socialista (adorei essa citação hahaha). Bem... o ser humano, a meu ver, é sim movido pelo medo. O meu medo é de não ter nada pelo que me orgulhar, medo de passar em branco, medo de não ser notado e amado. Não sei se todos compartilham desses medos...
Acho que seria interessante voltar ao conceito da efemeridade da vida e das coisas... motivadas pelo medo do fim, as pessoas fazem coisas inacreditáveis. Milagres são obras humanas.
Acho que o medo é incutido nas pessoas de acordo com o que elas escolhem para acreditar.
Um exemplo cotidiano, é no caso do meu alistamento.
Uma característica pessoal minha é tentar estar minimamente preparado para qualquer evento, afim de não sofrer tanto com imprevistos ou situações desagradáveis.
Assim sendo, questionei os amigos que já haviam ido ao quartel e exame médico. O resumo é que todos disseram que os militares foram fdps com eles, insultaram sem motivo, etc.
Antes de ir ao exame estava ansioso e obviamente com medo de ter de servir. Dormir foi até difícil.
Enfim, chego lá e o processo todo foi tranquilo e sem grandes problemas.
Pode-se até atribuir ao fato de por ter uma visão pessimista, um resultado não tão mal é tido como um bom resultado.
Mas eu acho que na verdade o que se pode extrair desse exemplo é:
1- A falta de problemas sérios (como ter de se preocupar com o que comer ou como escapar de uma guerra) nos leva a criar nossos próprios temores irracionais simplesmente porque necessitamos de uma dose de adrenalina, eventualmente.
2- O medo, na verdade, não era de ter de servir, mas do impacto que isso causaria nos "planos" de futuro; ter de parar a faculdade, não arranjar emprego, o que interferiria na passagem já pré-estabelecida da minha vida.
3- Ter tido um julgamento pobre do quão confiáveis eram as informações que recebi, e como o sensacionalismo nos faz fixar melhor do que as informações verídicas. Isso é um excelente exemplo de como a mídia e a política controla o povo por meio do medo.
O medo VENDE. E VENDE muito.
Se você compra um carro, vai comprar um alarme e pagar um seguro, porque tem medo de ser roubado.
Se você compra uma casa, compra um cachorro porque tem medo de roubarem a casa. Paga seguro porque tem medo que a casa queime. Paga veterinario porque tem medo que o cachorro morra.
Se bobear, o medo faz você comprar até túmulo.
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