quinta-feira, julho 24

Viver, hoje em dia

"Navegar é preciso. Viver não é preciso."
Pompeu

Os seres humanos tendem à busca pelo ideal em diversos aspectos. Durante épocas buscamos definir os conceitos de amor, mulher e (por que não?) sofrimento ideal. Se criamos definições para fatores relativos à vida de igual modo procuramos definir o que é a vida idealizada.


O padrão está sempre ligado à época, com a vida não seria diferente; hoje ele está ligado, como tantas outras coisas, ao capitalismo. Se a busca pelo capital é o objetivo da economia, a busca pelo poder será o objetivo da política e a busca pela felicidade plena será o objetivo da vida.


Os bens palpáveis são os intermediários para a felicidade idealizada. No entanto, como tratamos de bens efêmeros a sensação de felicidade causada por eles será também efêmera; pois além da tendência de buscar o ideal, tendemos a enjoar das coisas rapidamente. Através desse método na prática, a busca torna-se o fator determinante da vida e não mais a felicidade como tratamos na teoria.


O efêmero aplicado ao conceito felicidade, é produto da reação entre bens e relações também efêmeras. Ao estabelecer como objetivo a acumulação desses reagentes, a busca por uma sensação de felicidade torna-se um ciclo de situações intermináveis, onde os meios tornam-se mais importantes do que os fins. Desse modo, ao invés da sensação de felicidade, sentimos uma grande insatisfação constante. A vida transforma-se num navegar sem fim e faz com que busquemos viver, mas, de fato, faz com que não vivamos.

3 comentários:

Alisson Bittencourt Bueno de Camargo disse...

O que se depreende disto é que a vida é o que se passa enquanto buscamos algo que nem bem compreendemos. Essa busca pelo efêmero que envolve pequenas necessidades também efêmeras é descartada. Poderia ser vivida e compreendida em si, mas é perdida.
Particularmente, gosto de navegar. Às vezes me puno por não dar tanta importância ao percurso. Isso porque, em verdade, é nele que vejo meu fim, meu objetivo único. Os instantes me pertencem e não há sentido em privar-me deles por um ideal inatingível. A minha busca tem de ser fantástica, ou não valeria a pena.
Enquanto eu ver esforços como os seus, saberei que ainda posso esperar a diferença. Precisamos navegar melhor. Estaremos, então, vivendo.

Como diria Lennon, "life is what happens to you while you're busy making other plans"

Fantástico,
Obrigado.

Anônimo disse...

Diria que se encaixou perfeitamente com o que eu confabulava outro dia. Pois, insatisfeito com o que tenho agora, pensava no que me deixou assim, e fui lembrando de mais e mais. Essa ciclicidade da vida é uma coisa que me deixa muito eufórico. Me deixa muito animado pelo que está por vir, e também muito triste, pos depois do topo da montanha, sem pre tem uma queda. Acho que todos sempre buscamos uma serra, e um planalto.. e com certeza no meio desse planalto existe uma depressão, ou um vale, e invariávelmente caimos nele.
Acho sempre válidas, além de criativas e instrutivas, essas tentativas de definição da vida, afinal, tudo que se sabe, é que depois dela existe a morte.

Anônimo disse...

"It matters not the destiny, but the journey".

Não faço idéia de quem é o verdadeiro autor da frase já que foi proferida muitas vezes e se não me engano está até na bíblia (algo que o valha).

O grande conceito idealizado é justamente esse de "tomar pequenos passos para a grandeza"; ou seja, a aquisição de um DVD Player para o carro, um tennis da moda ou um relógio de luxo nada mais é do que um dos "pequenos passos". Observa-se em todos os livros de auto-ajuda: "Comece com pequenos objetivos, e você será capaz de tudo".

Nenhuma mentira vende mais do que essa. As pessoas querem acreditar no que as fazem sentir-se bem, independente de ser verdadeiro ou não.

E atire a primeira pedra quem nunca acreditou em sua própria viagem - sentido figurado. (ou quem nunca usou uma frase clichê como essa)