Pompeu
Os seres humanos tendem à busca pelo ideal em diversos aspectos. Durante épocas buscamos definir os conceitos de amor, mulher e (por que não?) sofrimento ideal. Se criamos definições para fatores relativos à vida de igual modo procuramos definir o que é a vida idealizada.
O padrão está sempre ligado à época, com a vida não seria diferente; hoje ele está ligado, como tantas outras coisas, ao capitalismo. Se a busca pelo capital é o objetivo da economia, a busca pelo poder será o objetivo da política e a busca pela felicidade plena será o objetivo da vida.
Os bens palpáveis são os intermediários para a felicidade idealizada. No entanto, como tratamos de bens efêmeros a sensação de felicidade causada por eles será também efêmera; pois além da tendência de buscar o ideal, tendemos a enjoar das coisas rapidamente. Através desse método na prática, a busca torna-se o fator determinante da vida e não mais a felicidade como tratamos na teoria.
O efêmero aplicado ao conceito felicidade, é produto da reação entre bens e relações também efêmeras. Ao estabelecer como objetivo a acumulação desses reagentes, a busca por uma sensação de felicidade torna-se um ciclo de situações intermináveis, onde os meios tornam-se mais importantes do que os fins. Desse modo, ao invés da sensação de felicidade, sentimos uma grande insatisfação constante. A vida transforma-se num navegar sem fim e faz com que busquemos viver, mas, de fato, faz com que não vivamos.

3 comentários:
O que se depreende disto é que a vida é o que se passa enquanto buscamos algo que nem bem compreendemos. Essa busca pelo efêmero que envolve pequenas necessidades também efêmeras é descartada. Poderia ser vivida e compreendida em si, mas é perdida.
Particularmente, gosto de navegar. Às vezes me puno por não dar tanta importância ao percurso. Isso porque, em verdade, é nele que vejo meu fim, meu objetivo único. Os instantes me pertencem e não há sentido em privar-me deles por um ideal inatingível. A minha busca tem de ser fantástica, ou não valeria a pena.
Enquanto eu ver esforços como os seus, saberei que ainda posso esperar a diferença. Precisamos navegar melhor. Estaremos, então, vivendo.
Como diria Lennon, "life is what happens to you while you're busy making other plans"
Fantástico,
Obrigado.
Diria que se encaixou perfeitamente com o que eu confabulava outro dia. Pois, insatisfeito com o que tenho agora, pensava no que me deixou assim, e fui lembrando de mais e mais. Essa ciclicidade da vida é uma coisa que me deixa muito eufórico. Me deixa muito animado pelo que está por vir, e também muito triste, pos depois do topo da montanha, sem pre tem uma queda. Acho que todos sempre buscamos uma serra, e um planalto.. e com certeza no meio desse planalto existe uma depressão, ou um vale, e invariávelmente caimos nele.
Acho sempre válidas, além de criativas e instrutivas, essas tentativas de definição da vida, afinal, tudo que se sabe, é que depois dela existe a morte.
"It matters not the destiny, but the journey".
Não faço idéia de quem é o verdadeiro autor da frase já que foi proferida muitas vezes e se não me engano está até na bíblia (algo que o valha).
O grande conceito idealizado é justamente esse de "tomar pequenos passos para a grandeza"; ou seja, a aquisição de um DVD Player para o carro, um tennis da moda ou um relógio de luxo nada mais é do que um dos "pequenos passos". Observa-se em todos os livros de auto-ajuda: "Comece com pequenos objetivos, e você será capaz de tudo".
Nenhuma mentira vende mais do que essa. As pessoas querem acreditar no que as fazem sentir-se bem, independente de ser verdadeiro ou não.
E atire a primeira pedra quem nunca acreditou em sua própria viagem - sentido figurado. (ou quem nunca usou uma frase clichê como essa)
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