quarta-feira, outubro 3

Baque!

A luz fluorescente refletia nas paredes brancas da sala na qual Ela se encontrava. As poltronas verdes não combinam com o tapete, pensava uma garota loira, magra e com um piercing vermelho no tragus.
A espera na sala era algo que a martirizava, a excitação atrelada ao suor causava uma sensação de desconforto e prazer, desconforto pela espera e prazer pelo que ela sabia que estava por vir.
Baque! A porta que dava para a rua se abre e no mesmo instante a palpitação aumenta num ritmo taquicárdico, emerge das sombras um jovem ruivo, ele se senta numa das poltronas verdes e começa a folhear uma revista de auto-ajuda que estava em cima do criado-mudo ao lado da poltrona.
O garoto, de relance, observa a menina loira e, surpreso, vê que estava sendo observado; ao cruzar seu olhar com o dela um vulcão de sensações se apodera de sua alma.
Baque! Um barulho vindo da rua toma a pequena sala branca, rapidamente as duas pessoas vão até a janela ver o que aconteceu deparando-se com uma cena desagradável, no meio da rua há um corpo estirado e um carro destroçado no hidrante da calçada.
Repentinamente a garota fecha as cortinas azuis e vai se sentar novamente na poltrona verde no lado oposto da sala, o garoto caminha até sua poltrona logo em seguida. Ao sentar-se um turbilhão de pensamentos tomam conta do jovem. Eu vi um homem morto, Ela estava do meu lado, O carro bateu no hidrante, Que perfume maravilhoso, Será que aquele homem tinha família?
No meio do marasmo a menina ruiva observa o rapaz inquieto do outro lado da sala, será que ele está bem?, pensou a garota ao vê-lo titubeando na poltrona, Ele é um tanto interessante, conclui ao final da observação.
Por que ela me observa?, o garoto incomodado pelo calor, não pelo calor pelo acidente, não mais, incomodado pelas moscas, nem ele sabia o porque do incômodo. Esse mar de incerteza consumia o rapaz, nada para ele fazia sentido, a atençao excessiva dada a garota desconhecida que estava na sua frente, o acidente que acabara de acontecer, a razão de estar naquela sala que a principio parecia tão pequena e que agora tomara dimensões tão grandes.
Uóóó! O barulho da ambulância tomara conta da sala e repentinamente o garoto toma consciência do verdadeiro motivo de estar parado, sentado, incomodado naquela sala branca com poltronas verdes e tapete vermelho escuro.
O calor toma conta da mulher ali sentada, as moscas começam a incomoda-la e num impulso ela levanta e caminha até o ventilador, no trajeto ela lança mais um ou dois olhares para o rapaz e percebe o quanto desconfortável ele ficava a cada novo olhar. Ela se pergunta o por que daquilo, já que cada olhar lançado não carregava nada mais do que afeto e camaradagem, um universo de questões mal respondidas toma conta dela e nesse delírio imaginário ela tropeça num fio e se desequilibra.
Uóóóó! A sirene da ambulância ressoa pela segunda vez e como num piscar de olhos (pá!) o garoto acorda do delírio e vê a imagem da mulher à sua frente se desequilibrando, sem pensar ele se levanta e vai rapidamente tentar amparar a queda.
Ela segura na parede e reestabelece o equilibrio, ao olhar para o lado vê que o rapaz fez um movimento brusco, parou, Admirável, pensou. Ele ao ver que ela não iria cair parou toscamente, Insignificante, sou mesmo um, até parece que uma mulher dessas cairia por causa de algo tão irrelevante como um fio, pensou.
Baque! A porta no interior da sala se abre e uma mulher de branco sai e anuncia um nome feminino, ela se levante dá uma ultima olhada no rapaz e fecha a porta às suas costas. Afligido pelo ultimo olhar feminino o rapaz oa observa até que o ultimo ponto de sua silhueta suma com o fechar da porta e, de repente, resolve se levantar e ir para casa, não tem mais sentido ficar aqui, concluiu o rapaz. Ao atravessar a rua ele vê os ultimos vestígios do acidente que ocorrera há pouco serem retirados, sua mente parecia voltar à normalidade e ao chegar ao lado oposto da rua ele pensa nos "Baques!" daquele dia.

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá^^

Otimo texto... interessante, sim. Ñ é algo que se lê sempre. É diferente, prende a atenção do leitor para detalhes que fazem grande diferença. Uma cena simples mostrada pensando nos pensamentos? Agitação... gostei...nem preciso repetir, vc realmente escreve muito bem...

^^

=**

Pedro disse...

eu gostei do enredo. tipo...tecnicamente nao aconteceu nada, mas aconteceu mta coisa mesmo assim...creio eu....isso é interessante
em relação ao estilo, curti o modo de escrever (ta mto bom pra um primeiro conto), porém as últimas duas linhas foram infantis...
mas td bem..MESMO...pq o resto nao foi nem perto de infantil..


e infelizmente eu fiquei c a impressao de q devia ter entendido algo a mais q nao entendi...talvez eu devesse estudar mais sobre platão...=p
hehehe


abraços bruno =]

Alisson Bittencourt Bueno de Camargo disse...

Como na vida daqueles que realmente existem. Os baques não são nada além da percepção do cotidiano, que já não faz sentido para muitos, embora isso não pareça válido para o garoto. Tão comuns se tornaram os fatos minúsculos que os maiores são como uma pequena expressão distorcida e sem sentido algum – afinal, números e superficialidade vêm a algum tempo suprimindo a importância do ser.
Sorte que em meio a isso tudo ainda exista alguém que busque valorizar e expor a realidade sem enfeites nem falcatruas impróprias a seres que não são programados nem fabricados por encomenda das grandes grifes.
E bem escrito: uma narração bem construída e tecida, nada cansativa e onde os sentimentos não são mentirosos, mas ainda assim nos confundem – e viva à realidade do ser e a desvalorização da farsa.

Parabéns, mais uma vez!

Anônimo disse...

Oiee!!

Como eu já te disse, gostei bastante do texto (depois de ler todos, conclui que esse foi o que mais gostei...). Ficou um texto simples, mas sem deixar de ser detalhado... Vc escreve muito bem!!

Beijos...